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Lifestyle, Comportamento, Dicas e Autoconhecimento e Espiritualidade

Camila Beckeer

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Nesta mesma escada, tomando sol, recebi uma ligação do meu avô querendo saber como eu estava. Ele me surpreendeu com a notícia de que a tia-vó do meu primo havia partido. Naquele momento senti um gelo, pois eu tinha acabado de perguntar como estava a minha avó, mas ele não escutou direito e respondeu outra coisa.

Desde então comecei a perceber o quanto devemos valorizar quem ainda está aqui com a gente…

Com o passar do tempo, comecei a me sentir estranha quando ia visitá-los. Sentia a morte por perto, e é sinistro, porque em nenhum momento você quer atrair isso — mas também acaba não assumindo o que sente. Eu ainda não havia perdido nenhum dos meus avós, e só de pensar nisso já me doía profundamente.

Fui visitá-la. Prometi dormir um dia lá, mas minhas férias ficaram corridas e consegui apenas passar o dia — ainda bem que fui. Comecei a ter sonhos estranhos desde setembro; achei que fosse apenas preocupação. Sonhava com o quintal da minha avó. Em outubro ela estava no hospital, e eu pensei que melhoraria novamente, que fosse apenas a artrite.

Até que novembro chegou, e recebi a notícia da minha irmã de que ela havia sido internada em estado grave, com câncer que já estava se alastrando para o rim… Eu orei, pedi orações e, sem muitas condições de ir visitá-la do outro lado do estado, a entreguei nas mãos do Criador.

Vivenciei um sofrimento antecipado. Chovia muito naquele dia. Depois me reergui com a minha própria fé e descobri que era forte para emanar boas energias a ela. Houve uma falsa melhora, mas depois ela piorou, tendo uma infecção hospitalar. No domingo sonhei com ela e meu avô em um jardim lindo, que parecia ter saído de um conto de fadas.

Eu me despedi dela, disse que a amava. Falei com meu avô também, mas quando me virei novamente só via ele. E hoje, quinta-feira, acordei e me deparei com a notícia — que já estava em minha mente antes mesmo de acordar — de que ela faleceu.

Para mim foi um choque, mas nem tanto, pois eu já havia sofrido antecipadamente por dias. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sei que o cérebro é algo incrível. Agora me resta consolar meus familiares, especialmente meu pai, que eu não sei como deve estar.

Tudo isso me fez perceber muitas coisas. Fiquei mais forte desde a última crise. Tive tempo de desapegar. Aprendi a não me desesperar. Estou mais próxima da minha intuição, pois eu sabia lá no fundo, desde o dia em que meu avô me ligou, que isso iria acontecer. Não há para onde fugir ou se esconder; apenas o tempo é capaz de fazer você aceitar que as coisas são como são e acontecem como devem acontecer.

Sou grata à minha intuição e a todos os meus guias por terem suavizado o peso desse momento. Que ela agora esteja sendo consolada e acolhida pelos anjos. Em honra a ela, vou viver minha vida e aproveitar cada segundo. Vou cuidar da minha saúde assim como eu gostaria que ela tivesse cuidado da dela.

É aí que entra o autoconhecimento e a importância de se ouvir. Talvez o câncer pudesse ter sido diagnosticado antes com mais informação — não digo isso para culpar ninguém, pois sei que o hospital da cidade não dá tanta atenção aos detalhes. Mas essa reflexão me faz olhar para mim mesma e escolher me cuidar mais.


Descanse em paz vovó, você sempre estará em minha memória como aquela pessoa doce e risonha que adorava ter tudo em ordem e sempre quis o melhor pra suas netas, sempre fez de tudo pra agradar, nos presentear e fazer comidas gostosas mesmo em momentos vulneráveis, como eu disse no dia que foi internada, eu te amo muito 🤍

 
 

Sobre mim 

Meu nome é Camila, tenho 26 anos, atuo como UGC creator, designer de marcas, social media e infoprodutora. Amo fotografia e autoretratos ( principalmente cenários externos, cosplay e temáticos). Desde 2013 sonho em ter um blog onde eu possa expressar meus sentimentos através da fotografia, da arte e da criatividade, trabalhar viajando...

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