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Camila Beckeer

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Queridos leitores,

Esse blog nasceu, muitas vezes, como uma válvula de escape do meu próprio caos. Um lugar onde deposito minha criatividade, minhas complexidades e também os pensamentos que atravessam minha mente no meio de uma rotina corrida.

Hoje, encare esse texto como uma observação sobre a vida. Um desabafo. Um pequeno recorte da minha jornada.

Ao longo dos meus estudos e vivências dentro da espiritualidade, percebi algo que antes eu não teria coragem de admitir: ainda tenho dificuldade em me desfazer do ego. Ainda sinto medos, inseguranças e, às vezes, até uma sutil falta de fé.

Mas também aprendi algo transformador — principalmente observando atitudes que eu não desejo reproduzir.

Dois anos atrás, eu jamais diria isso… mas cheguei ao ponto de sentir empatia por pessoas difíceis. Especialmente dentro da minha própria família.

Existem comportamentos que beiram o tóxico, o autoritário, o abusivo — principalmente direcionados às mulheres. Mas, olhando com mais profundidade, percebi que muitos foram criados assim. Aquela foi a única forma de amor, de autoridade e de convivência que aprenderam.

Criticar, confrontar, bater de frente… muitas vezes é só a criança ferida tentando proteger crenças que nunca foram questionadas.

E então surge a pergunta: o que a gente faz com isso?

Não podemos mudar o outro.Mas podemos quebrar padrões agindo diferente.

Sem submissão.Sem se negligenciar.Mas também sem perder a compaixão.

Foi aí que eu percebi que existe uma linha muito tênue.

Porque o ego também engana.

Às vezes, por cansaço. Às vezes, por decepção.A gente começa a confundir egocentrismo com amor-próprio.

E, se não houver reflexão, a gente cria conflitos achando que está apenas “se escolhendo”. Às vezes deixa de fazer o básico pelo outro como forma de defesa… quando, no fundo, ainda é ferida.

Vou dar um exemplo.

Meu avô, com seus 72 anos, foi criado dentro de um modelo patriarcal. Sempre foi crítico, rígido, difícil em muitos momentos.

Mas hoje, depois que minha avó ficou impossibilitada de realizar várias tarefas, ele carrega um peso que poucos enxergam.

Além do trabalho da roça — cuidar dos bois, dos animais, manter alimento, resolver coisas fora de casa, lidar com a própria saúde — ele também precisou aprender a cozinhar, fazer pão, organizar a casa.

É fácil olhar de fora e dizer que ele está apenas saindo do comodismo.

Mas a realidade é que o trabalho da roça é pesado. Ele tem 72 anos. Tem gente com 30 que já reclama de dor nas costas limpando uma casa.

Será que a gente vai chegar nessa idade com essa disposição?

Empatia não é submissão.

Empatia é não deixar o ego endurecer o coração.

Eu aprendi algo que carrego comigo desde a adolescência:

Se for pra fazer algo de má vontade, sem carinho, sem presença… é melhor nem fazer.

Isso vale pra tudo. Pra casa, pra comida, pra forma como tratamos as pessoas.

Às vezes você pode até ter razão.

Mas nem sempre a razão sustenta um lar.

O que sustenta é o amor.

E hoje eu escolho fazer as coisas por amor.Não por obrigação. Não por medo.

Mas porque, estando em um ambiente — físico e energético — eu prefiro contribuir com harmonia do que alimentar conflito.

Eu já fui a pessoa que transformava tudo em guerra.

Hoje eu entendo melhor.

E talvez crescer seja isso: continuar firme, sem se anular, mas também sem endurecer.

Mesmo assim, ainda me sinto incomodada quando vejo parte da minha família — tios, irmãos — tentando resolver tudo como se fosse simples, como se bastasse “boa vontade”, ignorando o peso emocional que algumas pessoas carregam.

Sim, ainda existe julgamento.

Mas hoje ele é diferente.

Não vem mais do impulso de atacar.Vem do lugar de observar… e não repetir.

Antes eu desabafava com raiva.Hoje eu observo em silêncio.

Eu olho para as pessoas e consigo perceber padrões, feridas, máscaras. Vejo o caos, vejo incoerências… e isso me entristece mais do que me revolta.

Picuinhas. Rivalidades. Silêncios que excluem. Falta de educação disfarçada de normalidade.

Antes, isso me ativava.

Hoje, isso me ensina.

Eu já fui a Camila que queria confronto, resposta, justiça imediata.

Hoje estou aprendendo algo mais difícil:às vezes, o melhor caminho é o afastamento estratégico.

Não é vingança.Não é fuga.

É maturidade emocional.

Se alguém não quer minha presença, eu respeito.

Mas também sei o meu lugar.

Não vou me afastar da minha família por causa de conflitos criados por terceiros. Pelo contrário. O que eu puder fazer — mesmo que pareça pouco — eu faço.

Pela minha consciência.

Porque eu sei que, um dia, algumas dessas pessoas vão partir.

E eu quero estar em paz comigo quando esse dia chegar.

E talvez essa seja a reflexão mais delicada de todas:

Até que ponto nossos sonhos começam a virar egoísmo?

Até onde o “eu mereço” passa por cima dos vínculos?

Até que ponto estamos confundindo crescimento com afastamento?

Ressignificar o ego é um exercício constante.

Não é se anular.Não é se diminuir.

Mas também não é usar o amor-próprio como escudo pra se fechar.

Pra mim, crescer espiritualmente tem sido isso:

Escolher quem eu quero ser, mesmo quando o ambiente não ajuda.

Manter meus limites sem perder minha essência.

E lembrar que nenhum sucesso vale a perda da própria consciência tranquila.

 
 

Sobre mim 

Meu nome é Camila, tenho 26 anos, atuo como UGC creator, designer de marcas, social media e infoprodutora. Amo fotografia e autoretratos ( principalmente cenários externos, cosplay e temáticos). Desde 2013 sonho em ter um blog onde eu possa expressar meus sentimentos através da fotografia, da arte e da criatividade, trabalhar viajando...

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